Poemas






O CASTELO DE BRAN E AS ROSAS


A tarde primaveril traz perfume
Ao crepúsculo de poemas... Então
O vampiro encantador segue o nume
Cercando o Castelo[1] sem ilusão...


            Cingindo a dor, ele corteja as rosas
            No açoite dos ventos a emurchecer.
            Desalento em lágrimas langorosas
            Sustentados por mãos a alentecer.


Etérea e suave presença que entorna
A cura pelas corolas destila
A paixão no rubro da rosa que orna.


         O jardim devastado. A ventura
         Sorri no canto divino que oscila
         Em beijos e fulgores da ternura.







[1]  Castelo de Bran na Romênia





FLORES SERPENTEANTES


     (Homenagem ao poema de Charles Baudelaire “A serpente que dança”)

Penhascos apocalípticos de martírio e solidão
Debruçados sobre rosas vermelhas de desesperados amores
Acorrentados ao espiralado abismo de desilusão
Em que se derramam arabescas lágrimas de sete cores

O rubro do sangue sepultou a música da brisa?
Confunde-se o perfume da sacerdotisa
Com o subterrâneo da alma adoecida
Por todas as geadas de uma desventurada vida

Cascata acariciada de pétalas move-se ao vento
Singular paisagem interior a revelar rosas vitrais?
Ou o sutil engodo de sons corais?
Apenas borboletas enturvando umbrais em acalento

Irrevelados mistérios descortinam poemas
Na fluida melodia trêmula que se descortina
Etérea guirlanda de sândalo que alumina
A entrada da escondida floresta de alfazemas

Confusa névoa entornando rostos mascarados
Pelo bosque de deslumbrantes ciprestes perfumados
Só lânguidos sonhos de volúpia e magia
A acender tochas no silêncio da noite de alegoria

No negrume das sombras, a bebida aromática
Atou ao altar de sacrifício à sacerdotisa prometida
Ao poderoso licor desmaiado de crepúsculo lascivo. Surgida
Música de veludo glauco a aflorar duma volúpia cromática

Embriaguez fulgurante emerge do fundo da devassidão
Reluzindo em aromas de almíscar selvagem    
No rosto do serpentil homem saído da ramagem
Delineado pela perfeição do rosto em paixão

Azuis olhos modulam a perfeição da boca em flor
Envoltos de enigmática aura de sentimentos e ardor
A salpicar de cor as rosas pálidas e amedrontadas
Ciciando tormentos convertidos em sensações douradas

Enrolando-se na sacerdotisa todo aflito
Vestido de beijos insinuando-se proscrito

Mancha a insana vaga do vermelho do amor.



POETANDO...
VOLÚPIAS ADORNADAS
Uma rosa treme aos sussurros do vento
Carícias a perturbar os sentidos
Miragem em deserto de sedução
Paixão doce ao luar
Ela mergulha em aromas
Adocicada taça de amores
A florescer em segredos
Por volúpias adornadas
Envoltas em beijos e flores apaixonadas


                                        JARDINS ENVOLVENTES


Noite álgida.  Um homem olha as insensíveis
Folhas dispersas em jardins da eternidade:
São poemas voluptuosos. A mulher invade
Silentes sonhos tão distantes, impossíveis.

Um inebriante luar toca os lábios macios
Suspirando por beijos. As brumas, sim, tecem
Desejos de paixão. Mistérios que adormecem
Vão derramando estrelas a unir desvarios.

Desvendados segredos a destilar pelos
Sentimentos de amor. Reveladas e ardentes
Sensações irrompem em fascínio e desvelos.

Num êxtase do enlevo espraiam mil olores,
Recendendo ao calor de corpos envolventes
Que adormecem à sombra em vesperais amores.



ROSA TRÊMULA

Um homem com os lábios em mel, afetuosos.
Um poeta silencia o espectro duma rosa
Triste. Ele pressente uma paixão flexuosa
Em arroubos do ardor delirante, sinuosos!

As noites perfumadas espraiam os véus
Luminosos de tão misterioso fascínio.
Os romances aspiram o luar e o domínio
Entornando a paixão sublimada nos céus.

Alvoreceu nas flores em lindos jardins
Místicos de emoções. Trêmula, ainda, a rosa
Desmaia, sufocando amores em jasmins.

E, no encontro com o poeta, as joias marfim
Em corais esfuziantes enfeitam charmosa
Flor, plena de anseio. Ele a beija, enfim...


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